Fico pensando nas sensações que temos: prazer, dor, tato, espirituais.. e vou entendendo que são energias em movimento, energias passando.
Não há a dor, não como um ser. A dor não está ali, nem como ser abstrato. Há o doer. Não o nome, só o verbo.
Reter a experiência provoca frustração, angústia e pode até "estragar" o momento. Se se tenta reter o prazer para gozar por mais tempo, não se obtém uma satisfação plena; ou se tentar reter a dor para não a sentir, o sofrimento será maior. É deixar ir, deixar fluir.
Nem querer evitar a dor evitando a aversão, nem reter o prazer exercitando o desapego.
Isso me lembra de momentos em que as pessoas, ateus ou não, falam que não há um Deus, não há um ser que seja deus.
Bom, faz sentido na medida em que entendemos que Deus é ação.
"No princípio era o Verbo". Verbo se refere a ação. Ou seja, no princípio era Ação.
Deus é Ação.
Na religião de Krisna (o verbo), a Kharma Yoga (Kharma no sentido de ação e não de punição por um erro) diz da ação. O caminho pela Ação: vamos agir e entregar a Deus, como um sacrifício (sacro ofício, aprendi isso com Vitor Adrien!); sem reclamar para nós o produto da nossa ação.
No espiritismo, o livro de Kardec prega a caridade, que é explicada como ajudar o outro sem esperar nada em troca.
Deus é Amor!, e não paixão. Amor é estar aberto às experiências, sem aversão nem apego.
Paixão, de pathos (doença), é se apegar a uma experiência e entrar num processo de reproduzí-l, querer sempre ressentir e achar que só aquilo é o bom.
Deus é amor, é fluidez, é energia em trânsito; ou seja:
Deus é Ação!
Sobre o Blog
O Tao, o Zen, Deus (as coisas sobre as quais mais vamos tratar neste espaço) é/são simples. É a maior simplicidade. É a mais pura ignorância (ignorância na forma que a conhecemos).
Com uma linguagem e um pensamento muito elaborado jamais o/os alcançaremos. Aliás, jamais os alcançaremos com a linguagem.
É a mais pura experiência. Inacessível ao ser humano enquanto a experiência passar/for filtrada pela linguagem.
Como os textos vão carregar um pensamento desenvolvido (ou seja, ignorante num sentido de cegar para a simplicidade), mesmo que a forma de escrita às vezes seja culta, as discussões que forem tratadas aqui não devem ser entendidas como iluminações do autor (mas podem ser também).
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
A ação como alegria de vida
O conceito de Kharma entendido com ação, e a Kharma Yoga como o caminho pelo qual o espírito age, apenas, sem esperar pelos resultados, sem reclamar para si os frutos dessa ação. Age em devoção, entregando os frutos ao Todo, ao Universo, a Deus.
É a ação pela ação, e não pelo resultado. A satisfação está em fazer, buscar a satisfação no resultado produz sofrimento. É como uma criança que brinca na areia de fazer castelo, a água vem e o destrói, alegremente recomeça e, ao terminar, o derruba e começa um novo castelo. Vê-se que a alegria está em fazer e não em admirar uma obra feita.
Parece que os frutos da ação são senão ilusões. Pensemos num certo projeto de vida que segue hegemônico na nossa cultura: a pessoa abdica das coisas que gosta de fazer com a intenção de passar no vestibular pensando em ser feliz quando ingressar na faculdade. Faz a faculdade para ter o emprego, trabalha para se aposentar.
Estuda para ter um bom emprego; consegue um bom emprego para constituir família e dar boa educação aos filhos, e o ciclo se repete.
Quer dizer: faz para fazer. Trabalha pensando num produto final que irá lhe proporcionar relaxamento, mas o produto final lhe dá mais trabalho a ser feito.
Onde está o fruto do trabalho? Como reclamá-lo para si? Essa expectativa produz frustração, de modo que se a alegria não estiver no fazer, na ação em si, então a vida será de angústia e ansiedade, será de espera pelo próximo momento.
Pensando nessa metáfora de colher frutos, podemos dizer: a vida é como uma semente mágica, que você planta e dá frutos instantaneamente; os frutos só são dados no ato da plantação e só ao plantar se pode colher frutos, porque a vida não é como a agricultura em que se faz o trabalho e espera uma recompensa, a vida é como a vida em que trabalho e recompensa se confundem.
Percebam que não estou fazendo uma apologia ao trabalho servil, nem estou sendo arauto do neoliberalismo-cristão, mandando que as pessoas não reclamem do trabalho. Não é essa a intenção. Ao dizer que a alegria está na ação, no trabalho, defendo que se busque aquilo que lhe oferece prazer de ser feito e não aquilo que lhe ofereça maiores recompensas!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
“I - Amar a Deus sobre todas as coisas” e a Kharma Yoga
Primeiramente, gostaria de esclarecer o termo “kharma”, que não é colocado como sinônimo de castigo. A Kharma Yoga é o caminho seguido pela ação; Kharma, então, tem sentido de ação.
A pessoa que segue esse caminho faz do seu trabalho, suas ações, uma oferenda à Deus. Faz-lhe tudo em sacrifício - mas não no sentido de causar-se sofrimento ou penitência; sacrifício: já que oferece seu trabalho a Deus.
Amar a Deus sobre todas as coisas não significa que devemos amar Deus MAIS do que as outras coisas nem que devemos amar primeiro Deus, e só depois as outras coisas, pessoas e seres.
Amar a Deus sobre todas as coisas significa que devemos amar todas as coisas como se estivéssemos amando Deus – e na verdade o estamos –, pois Deus está em tudo, em todas as coisas, em todos os seres, em todas as ações!
Deus É tudo o que É, tudo o que Há e tudo o que Faz.
Ao contemplarmos um Ser, estamos contemplando Deus, que o é e o fez.
Ao agirmos, estamos contribuindo para o aspecto de Deus que é Ação, a Sua respiração.
Quando o mestre nos alerta para que façamos nosso trabalho com devoção, é para que o ofereçamos a Deus. Mas não lhe oferecer como um presente! Como podemos presentear um dono de um roseiral com suas próprias roseiras? Assim é com o Todo, que pertence a Deus, além de ser-lhe.
Oferecer o trabalho a Deus é trabalhar para compartilhar com o movimento do Todo.
Todos os seres do universo trabalham, compondo uma dança num ritmo belo e compassado; eis o movimento de Deus. Ao agirmos com devoção e oferecer-Lhe o trabalho como sacrifício, contribuímos na composição de Seu movimento.
Deus Somos tudo o que Somos, tudo o que Havemos e tudo o que Fazemos.
A Graça de Ser esteja conosco.
A Paz esteja convosco.
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